"A liturgia não é um
show, um espetáculo que necessite de diretores geniais e de atores de
talento. A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções
cativantes, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o
seu efêmero, mas o mistério do Sagrado. Muitos pensaram e disseram que a
liturgia deve ser feita por toda comunidade para ser realmente sua. É
um modo de ver que levou a avaliar o seu sucesso em termos de eficácia
espetacular, de entretenimento. Desse modo, porém , terminou por
dispersar o propium litúrgico que não deriva daquilo que nós fazemos,
mas, do fato que acontece. Algo que nós todos juntos não podemos, de
modo algum, fazer. Na liturgia age uma força, um poder que nem mesmo a
Igreja inteira pode atribuir-se : o que nela se manifesta e o
absolutamente Outro que, através da comunidade chega até nós. Isto é,
surgiu a impressão de que só haveria uma participação ativa onde
houvesse uma atividade externa verificável : discursos, palavras,
cantos, homilias, leituras, apertos de mão… Mas ficou no esquecimento
que o Concílio inclui na actuosa participatio também o silêncio, que
permite uma participação realmente profunda, pessoal, possibilitando a
escuta interior da Palavra do Senhor. Ora desse silêncio, em certos
ritos, não sobrou nenhum vestígio.”