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segunda-feira, 20 de maio de 2013

A MARIOLOGIA NA MÚSICA DO PADRE ZEZINHO

Procurando certa vez uma canção para cantarolar lembrei-me de uma antiga do Pe. Zezinho intitulada "E te chamavas Maria" que costumava cantar muito displicentemente. Observando mais atentamente a letra dessa canção surpreendi-me com algumas expressões pouco tradicionais e até revolucionárias a respeito da Virgem Santíssima.

Pe. Zezinho, SCJ

O autor, com essa música, parece querer dar um "caráter mais humano" a Nossa Senhora, digo parece, porque o que se sucede no decorrer de todo o texto é um rebaixamento e nivelamento da pessoa singular de Maria Santíssima com as demais mulheres não somente da sua época mas as de todos os tempos.

A sua mensagem central é que a Virgem Maria sonhava e amava igual as meninas de todos os tempos inclusive as de hoje. Essa é uma idéia no mínimo equivocada. Confrontemo-la com o que diz Santo Afonso de Ligório, Bispo e Doutor da Igreja, no seu livro Glórias de Maria, mais precisamente no capítulo que fala sobre a Festa da Apresentação de Maria, diz o santo: "Desde o primeiro momento em que esta celeste menina foi santificada no seio de sua Mãe (que foi o primeiro instante de sua Imaculada Conceição), recebeu também o uso perfeito da razão".(pag.273). Em outra parte citando São João Damasceno, também Doutor da Igreja, diz: "A Virgem afastou o pensamento de todas as coisas terrenas, abraçando todas as virtudes..."(pag.278). É de S. João Damasceno também as palavras que Santo Afonso transcreve em seu livro: "O Senhor a conservou tão pura no corpo e na alma, como realmente convinha àquela que iria conceber a Deus em seu seio. Pois santo como Ele é, procura morar só entre os santos. Portanto, o Eterno Pai podia dizer a esta filha: Como o lírio entre os espinhos, és tu, minha amiga, entre as filhas (Ct 2,2): Pois, enquanto as outras foram manchadas pelo pecado, tu foste sempre imaculada e cheia de graça".(pag.240).

Santo Afonso de Ligório, Doutor da Igreja

Como vemos, prezado católico, não se pode rebaixar a Virgem Santíssima ao nível das outras mulheres ou de qualquer outra criatura, ela é o lírio entre os espinhos. Também é igualmente condenável querer equiparar os sentimentos e as virtudes de qualquer criatura, por mais nobres e honestos que sejam, aos gloriosos e perfeitos sentimentos da Augusta Senhora.

No restante da música o padre faz uma exaltação dos sentimentos de Maria em relação a São José, diz ele de Nossa Senhora: "sorrias, falavas, brincavas, cantavas, dançavas pensando em José"
. Ora, segundo a Tradição Nossa Senhora desde a terna idade se consagrou ao Senhor, na Festa da sua Apresentação a Igreja nos ensina que ela foi levada ao Templo por seus pais S. Joaquim e Santa Ana, onde foi educada, com a idade de 3 anos e que era desejo seu permanecer virgem e consagrada a Deus por toda a vida. 

Nossa Senhora do Sagrado Coração

É comum nos Santos Doutores da Igreja que Maria Santíssima obedeceu ao preceito de amar a Deus sobre todas as coisas mais do que qualquer outra criatura, inclusive os anjos que contemplam a Deus. Então, como se pode sustentar a ideia de que ela tinha seus pensamentos e ações voltados para São José? Qual a fonte utilizada para supor e propor estes argumentos? Somente na cabeça de uma pessoa romântica estas idéias ganham sustentação.

Caro católico, concluímos nisso tudo que músicas como esta e tantas outras que são cantadas inclusive, por desgraça, na Sagrada Liturgia da Santa Missa estão impregnadas de um sentimentalismo romântico que deturpam a fé e causam grande prejuízo às almas. Busque ter mais atenção no que você canta e lê, e não se deixe levar por novidades que contradizem o que a Igreja sempre ensinou apenas pelo fato de terem o rótulo de católicas.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

MEDITANDO COM OS SANTOS
 
"Antes da vinda do Messias, o mundo estava abismado na noite tenebrosa da ignorância e do pecado. No mundo o Deus verdadeiro era conhecido tão somente num cantinho da terra, a saber, na Judéia: Notus in Iudaea Deus – “Deus é conhecido na Judéia”. Em todo o resto do mundo eram adorados como deuses os demônios, os animais e as pedras. Em toda a parte reinava a noite do pecado, que cega as almas, enche-as de vícios, e priva-as da vista do estado miserável em que se acham, inimigas de Deus e condenadas ao inferno. Dessas trevas veio Jesus livrar o mundo. Livrou-o da idolatria dando-lhe o conhecimento do Deus verdadeiro; livrou-o do pecado com a luz de sua doutrina e dos exemplos divinos: O Filho de Deus veio ao mundo para destruir as obras do diabo.

O profeta Jeremias predisse que Deus havia de criar um novo Menino para ser o Redentor dos homens: Creavit Dominus novum super terram. Esse novo Menino foi Jesus Cristo, que faz as delícias do paraíso e é o amor de Deus Pai, que fala assim: Este é o meu Filho dileto em que deposito as minhas complacências. É este Filho quem se fez homem. Embora criança nova, deu a Deus mais honra e glória no primeiro momento de sua criação do que lhe têm dado e durante toda a eternidade lhe poderão dar todos os Anjos e Santos juntos. Por isso é que no nascimento de Jesus os Anjos cantaram: Gloria in excelsis Deo – “Glória a Deus nas alturas. Jesus Menino rendeu a Deus mais glória do que lhe arrebataram os pecados de todos os homens."
 
Santo Afonso Maria de Ligório - Bispo e Doutor da Igreja


sábado, 14 de abril de 2012

PRIMEIRO DOMINGO DEPOIS DA PÁSCOA

Só em Deus se acha a verdadeira paz.


Venit Iesus, et stetit in medio, et dixit eis: Pax vobis - “Veio Jesus, e pôs-se no meio e disse-lhes: A paz seja convosco” (Io. 20, 9).

Sumário. Assim é: só em Deus se acha a verdadeira paz; porque, tendo Deus criado o homem para si, o Bem infinito, só Ele pode fazê-lo contente. Quem quiser gozar esta paz, deve repelir de seu coração tudo que não seja Deus, que feche as portas dos sentidos a todas as criaturas e viva como que morto aos afetos terrestres. É isto exatamente o que o Senhor quis dar a entender aos apóstolos, quando, aparecendo para lhes anunciar a paz, quis ambas as vezes entrar aonde estavam os apóstolos, estando as portas fechadas.

I. Refere São João que, achando-se os apóstolos juntos numa casa, Jesus Cristo ressuscitado entrou ali, posto que as portas estivessem fechadas, e pondo-se no meio, disse-lhes duas vezes: A paz seja convosco. Repetiu as mesmas palavras oito dias depois, aparecendo-lhes mais uma vez, estando fechadas as portas. Pax vobis – “A paz seja convosco”. – Com estas palavras quis Jesus Cristo dar-nos a entender “que Ele é a nossa paz; Ele que dos dois fez um, desfazendo em sua carne, com o sacrifício de sua vida, o inconsistente muro de separação, as inimizades”. (1)

Com efeito: só em Deus se acha a verdadeira paz; porque, tendo Deus criado o homem para si mesmo, o Bem infinito, só Ele pode plenamente satisfazê-lo. Delectare in Domino, et dabit tibi petitiones cordis tui (2) – “Deleita-te no Senhor, e te outorgará as petições de teu coração”. Quando alguém acha as suas delícias só em Deus e não busca coisa alguma fora dele, Deus cuidará em satisfazer-lhe todos os desejos do coração.

Insensatos portanto são aqueles que dizem: Bem-aventurado o que pode gastar dinheiro à vontade! Que pode mandar nos outros! Que pode gozar os prazeres que deseja. Loucura! Bem-aventurado é somente o que ama a Deus, o que diz deveras que Deus só lhe basta. A experiência demonstra bem patentemente, que muitos dos que o mundo chama felizes, por grandes que sejam as suas riquezas e altas as suas dignidades, todavia levam vida infeliz, nunca estão contentes, jamais gozam um dia de verdadeira paz. Ao contrário, tantos bons religiosos que vivem num deserto ou numa gruta, sujeitos a enfermidades, à fome, ao frio, estão contentes e exultam de alegria. E porque? Porque eles só se ocupam com Deus, Deus os consola. Ah! A paz que o Senhor faz provar a quem o ama, está acima de todas as delícias que o mundo pode dar! Pax Dei quae exsuperat omnem sensum (3).

II. Gustate et videte, quoniam suavis est Dominus (4) – “Provai e vede quão suave é o Senhor”. Ah, mundanos! Exclama o Profeta, porque desprezais a vida dos santos, sem que a tenhais experimentado? Experimentai-a uma só vez: afastai-vos do mundo, dai-vos a Deus, e vereis quanto melhor sabe Ele consolar-vos do que todas as grandezas e delícias que andais procurando para vossa perdição. – Verdade é que também os santos sofrem na vida presente grandes tribulações; mas com a resignação à vontade de Deus, nunca perdem a paz. Numa palavra, eles estão acima das adversidades e vicissitudes deste mundo, e por isso vivem sempre numa tranqüilidade imperturbável.

Mas quem quiser estar sempre unido com Deus e gozar continua paz, deve banir do coração tudo que não seja Deus, guardar as portas dos sentidos fechadas a todas as criaturas e viver como que morto aos afetos terrestres. É exatamente o que o Senhor quis dar a entender, quando, na aparição aos apóstolos, entrou duas vezes, como narra o Evangelho, estando fechadas as portas: cum fores essent clausae. “Em sentido místico”, explica Santo Tomás, “devemos aprender disso que Jesus Cristo não entra em nossas almas enquanto não tivermos fechado as portas dos sentidos.”

Pai Eterno, pelo amor de Jesus Cristo, ajudai-me a romper todos os laços que me prendem ao mundo. Fazei com que eu não pense em outra coisa senão em Vos agradar. Felizes daqueles a quem só Vós bastais! Senhor, dai-me a graça de não buscar nada fora de Vós e de não desejar senão o vosso amor. Por vosso amor renuncio também as consolações espirituais. Nada mais desejo senão cumprir a vossa vontade e dar-Vos gosto. “Fazei, ó Deus todo poderoso, com que havendo concluído a celebração das festas pascais, pela vossa graça conserve, na vida e costumes, o espírito das mesmas. (5) – Ó Mãe de Deus, Maria, recomendai-me a vosso Filho, que não vos nega nada. (*II 301.)

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1. Eph. 2, 14.
2. Sal. 36, 4.
3. Phil. 4, 7.
4. Sal. 33, 9.
5. Or. Dom. curr.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 19 - 21.)