Procurando certa vez uma canção para cantarolar lembrei-me de uma antiga do Pe. Zezinho intitulada "E te chamavas Maria" que costumava cantar muito displicentemente. Observando mais atentamente a letra dessa canção surpreendi-me com algumas expressões pouco tradicionais e até revolucionárias a respeito da Virgem Santíssima.
O autor, com essa música, parece querer dar um "caráter mais humano" a Nossa Senhora, digo parece, porque o que se sucede no decorrer de todo o texto é um rebaixamento e nivelamento da pessoa singular de Maria Santíssima com as demais mulheres não somente da sua época mas as de todos os tempos.
A sua mensagem central é que a Virgem Maria sonhava e amava igual as meninas de todos os tempos inclusive as de hoje. Essa é uma idéia no mínimo equivocada. Confrontemo-la com o que diz Santo Afonso de Ligório, Bispo e Doutor da Igreja, no seu livro Glórias de Maria, mais precisamente no capítulo que fala sobre a Festa da Apresentação de Maria, diz o santo: "Desde o primeiro momento em que esta celeste menina foi santificada no seio de sua Mãe (que foi o primeiro instante de sua Imaculada Conceição), recebeu também o uso perfeito da razão".(pag.273). Em outra parte citando São João Damasceno, também Doutor da Igreja, diz: "A Virgem afastou o pensamento de todas as coisas terrenas, abraçando todas as virtudes..."(pag.278). É de S. João Damasceno também as palavras que Santo Afonso transcreve em seu livro: "O Senhor a conservou tão pura no corpo e na alma, como realmente convinha àquela que iria conceber a Deus em seu seio. Pois santo como Ele é, procura morar só entre os santos. Portanto, o Eterno Pai podia dizer a esta filha: Como o lírio entre os espinhos, és tu, minha amiga, entre as filhas (Ct 2,2): Pois, enquanto as outras foram manchadas pelo pecado, tu foste sempre imaculada e cheia de graça".(pag.240).
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Santo Afonso de Ligório, Doutor da Igreja |
Como vemos, prezado católico, não se pode rebaixar a Virgem Santíssima ao nível das outras mulheres ou de qualquer outra criatura, ela é o lírio entre os espinhos. Também é igualmente condenável querer equiparar os sentimentos e as virtudes de qualquer criatura, por mais nobres e honestos que sejam, aos gloriosos e perfeitos sentimentos da Augusta Senhora.
No restante da música o padre faz uma exaltação dos sentimentos de Maria em relação a São José, diz ele de Nossa Senhora: "sorrias, falavas, brincavas, cantavas, dançavas pensando em José"
. Ora, segundo a Tradição Nossa Senhora desde a terna idade se consagrou ao Senhor, na Festa da sua Apresentação a Igreja nos ensina que ela foi levada ao Templo por seus pais S. Joaquim e Santa Ana, onde foi educada, com a idade de 3 anos e que era desejo seu permanecer virgem e consagrada a Deus por toda a vida.
É comum nos Santos Doutores da Igreja que Maria Santíssima obedeceu ao preceito de amar a Deus sobre todas as coisas mais do que qualquer outra criatura, inclusive os anjos que contemplam a Deus. Então, como se pode sustentar a ideia de que ela tinha seus pensamentos e ações voltados para São José? Qual a fonte utilizada para supor e propor estes argumentos? Somente na cabeça de uma pessoa romântica estas idéias ganham sustentação.
Caro católico, concluímos nisso tudo que músicas como esta e tantas outras que são cantadas inclusive, por desgraça, na Sagrada Liturgia da Santa Missa estão impregnadas de um sentimentalismo romântico que deturpam a fé e causam grande prejuízo às almas. Busque ter mais atenção no que você canta e lê, e não se deixe levar por novidades que contradizem o que a Igreja sempre ensinou apenas pelo fato de terem o rótulo de católicas.